
Uma forte pressão está sendo feita por diversos setores da indústria do tabaco e seu comércio para mudar a proibição de comercialização, importação e propaganda dos cigarros eletrônicos no Brasil. A proposta de revisão da Resolução da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária RD-ANVISA Nº 46, de 2009, encontra-se em consulta pública para coletar as opiniões da sociedade. O prazo dessa consulta, aberta no ano passado, vai até 9 de fevereiro. A possibilidade de uma flexibilização da legislação que veta o comércio desses dispositivos terá um enorme impacto negativo, sobretudo na saúde da população mais jovem.
SCHOLZ, Jaqueline. Lobby para mudar lei de venda do cigarro eletrônico esconde riscos à saúde. UOL, São Paulo, 26 jan. 2024. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2024/01/26/lobby-para-mu.... Acesso em: 7 out. 2024.

O número de brasileiros que consomem regularmente dispositivos eletrônicos para fumar cresceu nos últimos anos. Uma pesquisa recente do Ipec, com dados de 2023, mostra que 2,9 milhões consomem os vapes no país. O número é cinco vezes maior do que o divulgado na pesquisa feita no ano anterior, quando 2,2 milhões de brasileiros afirmaram consumir os dispositivos. O consumo cresce no Brasil mesmo em meio à proibição da Anvisa e preocupa especialistas, já que os dispositivos eletrônicos para fumar são proibidos no país desde 2009. A Agência está com uma consulta pública aberta até o próximo dia 9 de fevereiro, onde a população pode defender a regulamentação dos dispositivos para fumar, o que já é uma realidade em cerca de oitenta países. Para o pneumologista Rodolfo Behrsin, os cigarros eletrônicos regulamentados seriam uma garantia a mais aos consumidores. “São produtos que eles reduzem bastante a toxicidade quando a gente compara com o cigarro tradicional. Diferente de produtos que não tem essa certificação – esses, sim, são produtos feitos sem nenhum critério sanitário, sem higiene.”
QUASE três milhões de brasileiros consomem cigarros eletrônicos, diz Ipec: Pesquisa aponta 2,9 milhões de consumidores no Brasil. Número é cinco vezes maior do que em 2022. CNN Brasil, São Paulo, 22 jan. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/quase-tres-milhoes-de-brasileiros-.... Acesso em: 29 jan. 2024.

Em entrevista à GloboNews neste domingo (21), a médica pneumologista Margareth Dalcomo fez um alerta sobre o uso de cigarros eletrônicos. "Temos atendido adolescentes de 15, 16 anos, com danos nos pulmões que estamos acostumados a ver em pessoas que fumam há 40, 50 anos".
CIGARROS eletrônicos: relatório da OMS mostra queda no consumo de tabaco. GloboNews [Instagram], [s.l.], 21 jan. 2024. Disponível em: https://www.instagram.com/reel/C2XnNJntUeN/. Acesso em: 29 jan. 2024.

A Consulta Pública da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a manutenção da proibição dos cigarros eletrônicos no país já conta com mais de 16 mil participações. O período para a população opinar vai até o dia 09 de fevereiro, às 23h59min. Apesar da ampla participação, apenas cerca de 25% do público finalizou o questionário e validou a resposta até a última sexta-feira, 12. Para que o posicionamento seja contabilizado é preciso enviá-lo sendo possível inclusive salvá-lo para fins de comprovação. As sugestões devem ser enviadas eletronicamente por meio do preenchimento de formulário eletrônico específico, disponível no site oficial da agência.
CONSULTA Pública sobre cigarros eletrônicos já conta com mais de 16 mil participações. Olá Jornal, Rio Grande do Sul, 20 jan. 2024. https://olajornal.com.br/consulta-publica-sobre-cigarros-eletronicos-ja-...

Uma mulher senta-se em uma cadeira e fala diretamente para a câmera com um tom sério e sincero. “Todos podemos ver que as evidências mostram que o vape ajuda os fumantes a parar, que o vape não está criando uma epidemia entre os jovens, que o vape não leva ao fumo, que os sabores são básicos e que a nicotina não é ruim.” Seu nome é Jessica Harding, e ela é diretora de engajamento externo na Knowledge-Action-Change, uma organização que recebeu fundos da Fundação para um Mundo sem Fumo, Inc., uma ONG americana que recebeu mais de US$400 milhões da Philip Morris International nos últimos sete anos, segundo revelou a investigação transnacional Redes de Nicotina.
PÉREZ, María. Dinheiro do tabaco financiou indiretamente “notícias” sobre vape – até no Brasil. Agência Pública, [s.l.], Disponível em: https://apublica.org/2024/01/dinheiro-do-tabaco-financiou-indiretamente-.... Acesso em: 29 jan. 2024.

O dinheiro da indústria do tabaco está financiando grupos pró-vaping e influenciadores na América Latina, ao mesmo tempo que a indústria, enfrentando o declínio do uso de cigarros e um futuro financeiro incerto, busca maior aceitação de sua mais recente geração: os produtos de nicotina sem fumaça. Porém, esse fluxo de dinheiro está longe de ser direto. Frequentemente, os valores passam por vários intermediários, com a Fundação para um Mundo sem Fumo, Inc., uma organização sem fins lucrativos sediada nos EUA, atuando como nó central.
PÉREZ, María. Na batalha para liberar vapes, a influência secreta do dinheiro da indústria do tabaco. Agência Pública, [s.l.], 16 jan. 2024. Disponível em: https://apublica.org/2024/01/na-batalha-para-liberar-vapes-a-influencia-.... Acesso em: 29 jan. 2024.

Com o aumento do uso dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) em todo o mundo, os pesquisadores estão correndo para entender como isso afeta o corpo humano. Comercializados como um produto que permite inalar nicotina com menor taxa de toxinas prejudiciais que estão presentes na fumaça dos cigarros tradicionais, os cigarros eletrônicos, ou “vapes”, são frequentemente apresentados como menos arriscados do que o tabagismo tradicional e vistos como uma ferramenta para ajudar os fumantes a parar. Mas será que essas alegações têm base científica? É o que eu queria descobrir quando comecei a pesquisa para essa reportagem.
PÉREZ, Maria. Eis o que a ciência sabe – e o que não sabe – sobre os riscos dos vapes. A Publica, [s.l.], 16 jan. 2024. Disponível em: https://apublica.org/2024/01/eis-o-que-a-ciencia-sabe-e-o-que-nao-sabe-s.... Acesso em: 14 out. 2024.

Responsável por quase 50% do valor da produção de tabaco em folhas do Brasil, o Rio Grande do Sul deve ser o estado mais beneficiado pela regulamentação dos cigarros eletrônicos. Um estudo inédito realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) revela que a criação de regras para comercialização do dispositivo no país pode gerar 32 mil postos de trabalho e um aumento de renda de R$ 132 milhões no setor, além de um faturamento adicional de R$1,6 bilhão para a fumicultura.
REGULAMENTAÇÃO de cigarros eletrônicos poderia gerar renda de R$ 132 milhôes para fumicultores brasileiros, segundo estudo. Olá Jornal, Rio Grande do Sul, 30 dez. 2023. Disponível em: https://olajornal.com.br/regulamentacao-de-cigarros-eletronicos-poderia-.... Acesso em: 6 maio 2024.

O Profissão Repórter desta terça-feira (19) contou a história de uma mulher que morreu por uma doença causa pelo uso de cigarro eletrônico em Juazeiro, na Bahia. A doença que matou Crisleide se chama EVALI, uma sigla em inglês que significa lesão pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico.
EVALI: conheça doença causada pelo uso de vape que matou mulher na Bahia. G1, Rio de Janeiro, 20 dez. 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2023/12/20/evali-conheca.... Acesso em: 7 out. 2024.

Proibição não impede o uso disseminado no Brasil, deixa consumidor no escuro sobre riscos do produto ilegal e não possibilita alternativas para redução de danos; Anvisa discute assunto nesta sexta-feira.
ESPECIALISTAS apontam urgência na regulação do cigarro eletrônico. Estúdio Folha, São Paulo, 30 nov. 2023. Disponível em: https://estudio.folha.uol.com.br/bat/2023/11/especialistas-apontam-urgen.... Acesso em: 2 jun. 2025.