Portal ENSP - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca Portal FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz
Início / Estrategias E Taticas / Manipular a opinião pública para ganhar respeitabilidade

Manipular a opinião pública para ganhar respeitabilidade

A indústria do tabaco sempre empregou estratégias para conquistar boa reputação, e ações de marketing foram historicamente utilizadas para isso.1 2 3 4 5 Porém, quando ganharam força estudos demonstrando os impactos negativos do tabagismo, legislações para restringir esse tipo de ação começaram a entrar em vigor mundo afora. A Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) orienta, em seu Artigo 13, que os países signatários proíbam toda publicidade, promoção e patrocínio do tabaco.6 No Brasil, a publicidade é proibida, assim como o merchandising e o patrocínio da indústria fumageira a atividades culturais ou esportivas.7 

Hoje, não há nenhuma dúvida de que o tabagismo é um importante fator de risco para as principais doenças crônicas não transmissíveis. Somente em 2019, mais de 8,7 milhões de pessoas morreram em todo o mundo por problemas relacionados ao tabaco.8 Mas, mesmo com todas as restrições à publicidade e diante um corpo de evidências científicas que depõem contra ela, a indústria ainda encontra formas de autopromoção. Como?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma das principais estratégias dessa indústria para manipular a opinião pública e ganhar respeitabilidade é a Responsabilidade Social Corporativa (RSC), ou seja,  o desenvolvimento de ações de impacto social e/ou ambiental, como programas sociais para produtores de tabaco, campanhas ambientais e ações educativas. Longe de serem neutras, ações de RSC são projetadas para influenciar a opinião pública e criar aliados sociais e políticos. “Cada vez que um grupo aceita financiamento ou trabalha com a indústria do tabaco, esta recupera parte da respeitabilidade perdida devido aos danos sociais, econômicos, ambientais e à saúde causados ​​por seus produtos”, explica o documento Tobacco Industry Interference - A Global Brief, publicado pela OMS em 2012.9

Exemplos disso são muito comuns no Sul do Brasil, região que concentra fortemente a produção de folhas de fumo no país. O Sindicato da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) criou o Instituto Crescer Legal, cuja missão declarada é combater o trabalho infantil e adolescente em áreas rurais — um problema historicamente presente na fumicultura. Apesar da atuação do instituto, não há relatórios que indiquem redução do trabalho infantil como resultado da iniciativa. A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) — que em tese representa agricultores, mas na prática tem posicionamentos alinhados aos da indústria10 — executa o Programa Verde é Vida em escolas de vários municípios para “desenvolver a educação socioambiental”e “promover a preservação do meio ambiente”, apesar de a fumicultura ser uma atividade de grande impacto ambiental.11 

Desastres climáticos e eventos extremos também são oportunidades para a indústria fortalecer seus laços com as comunidades envolvidas. Após as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul em 2024, tanto a Philip Morris Brasil como a BAT Brasil fizeram doações para municípios atingidos.12 13 Durante a pandemia de covid-19, as duas empresas igualmente doaram dinheiro, além de equipamentos, máscaras e alimentos a municípios do Sul do país.14 15 16 17 18 19 Vale ressaltar que, apesar dessas ações, as empresas não se engajaram em cumprir medidas sanitárias que prejudicariam sua produção: em março de 2020, um decreto de Santa Cruz do Sul (RS) proibiu atividades industriais que não fossem urgentes ou expressamente indicadas pela Prefeitura, mas a fábrica da Philip Morris no município não parou.20

As empresas desenvolvem também ações de RSC fora das regiões produtoras. A Philip Morris, por exemplo, patrocinou o Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade LGBT+ em 2022,21 financiou uma atividade da programação oficial da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo em 202422 e apoiou blocos de carnaval ligados à diversidade na mesma cidade no ano seguinte.23 

Ações como as citadas aqui podem desencadear uma legitimação social que, de outro modo, empresas fumageiras dificilmente teriam. A indústria do tabaco utiliza a RSC como forma de angariar aliados capazes de influenciar tomadas de decisão, ampliando assim seu capital político.9 

Ademais, ações de RSC podem ser consideradas uma forma de patrocínio, segundo as diretrizes para a implementação do Artigo 13 da CQCT. Justamente por isso, as diretrizes recomendam que as Partes proíbam contribuições de empresas de tabaco a qualquer outra entidade para “causas socialmente responsáveis” — e que toda publicidade dada a práticas “socialmente responsáveis” da indústria seja proibida, pois constitui publicidade e promoção do tabaco.24 O Brasil ainda não classifica explicitamente a responsabilidade social corporativa como uma forma de publicidade ou patrocínio. O país também não possui regulamentação específica para controlar ou proibir a promoção pública de atividades de responsabilidade social corporativa.25

 

Por Raquel Gurgel e Alex Kornalewski / Cetab

02/01/2020

EUA anuncia proibição parcial de cigarros eletrônicos aromatizados.

Referência

EUA anuncia proibição parcial de cigarros eletrônicos aromatizados. UOL, 2 jan. 2020. são Paulo, Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/afp/2020/01/02/eua-anuncia-proibicao-parcial-de-cigarros-eletronicos-aromatizados.htm . Acesso em: 10 jun. 2020.

 

01/01/2020

Site de venda de cigarros eletrônicos com PERGUNTAS e respostas MAIS FREQUENTES SOBRE OS CIGARROS ELETRONICOS

Referência

 

03/12/2019

O STF julgou improcedentes as ações referentesao Rio de Janeiro (ADI 4249). Trata-se de ação direta ajuizada pela Confederação Nacional do Turismo (CNTUR), cujo interesse era invalidar, alegando a inconstitucionalidade da Lei Estadual 13.541, de 7 de maio de 2009, do Estado de São Paulo.

Referência

BRASIL. Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI4351) - Inteiro teor. Supremo Tribunal Federal, Brasília, DF, 3 dez. 2019.

 

21/03/2019

Dois projetos brasileiros estão entre os 31 trabalhos selecionados pelo PMI IMPACT, uma iniciativa global criada pela Philip Morris International (PMI), com o objetivo de financiar programas de combate ao comércio illegal e crimes relacionados. Em sua segunda edição, o PMI IMPACT recebeu mais de 157 inscrições de todo o mundo.

Referência

Projetos brasileiros receberão investimento da Philip Morris International para combater o comércio ilegal e crimes relacionado. Olá Jornal, Rio Grande do Sul, 21 mar 2019. Disponível em: shttp://olajornal.com.br/projetos-brasileiros-receberao-investimento-da-p...

Fonte: http://olajornal.com.br/projetos-brasileiros-receberao-investimento-da-philip-morris-international-para-combater-o-comercio-ilegal-e-crimes-relacionados/

 

29/11/2018

A Altria, dona da marca Marlboro, negocia a aquisição de uma parcela da startup de cigarros eletrônicos Juul Labs. Estimativas indicam que o valor de mercado da Juul Labs pode chegar a US$ 16 bilhões. Os vaporizadores, em formato de pendrive, contêm 1 líquido com nicotina de sabores variados, como manga e pepino, e tornaram-se febre entre estudantes do ensino médio norte-americano.

Referência

EMPRESA dona da Marlboro negocia aquisição de startup de cigarros eletrônicos. Poder360, 29 nov. 2018. Disponível em: https://www.poder360.com.br/economia/empresa-dona-da-marlboro-negocia-aquisicao-de-startup-de-cigarros-eletronicos/ Acesso em: 29 jun. 2020.

 

07/03/2016

Notícia sobre a criação de um cigarro eletrônico "seguro". Além da divulgação do novo produto pela British American Tobacco, cientistas alegam que este cigarro é 95% mais seguro.

Referência

REILLY, Nicholas. Cientistas desenvolvem cigarros eletrônicos "seguro"com tabaco fresco. Metro, Reino Unido, 7 mar. 2016. Disponível em: https://metro.co.uk/2016/03/07/scientists-develop-safe-e-cigarette-with-.... Acesso em: 7 maio 2021.

 

11/09/2006

Página eletrônica do Fórum Nacional Contra a Pirataria. Organização de fachada que promove os interesses de diversas empresas, dentre os quais as indústrias de tabaco Philip Morris e Souza Cruz.

Referência

FÓRUM NACIONAL CONTRA A PIRATARIA E A ILEGALIDADE [Página eletrônica]. São Paulo, 2006.Disponível em: http://www.fncp.org.br/forum/associados Acesso em: 1 jun. 2016.

Fonte: http://www.fncp.org.br/forum/associados

 

10/10/1996

Em 1981, a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), assina o convênio com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), e começa a desenvolver atividades de educação ambiental: palestras e  doação de mudas.

Essas ações de cunho ambiental deram origem ao Projeto Verde é Vida, criado em 1991. Tem como objetivo, desenvolver a educação socioambiental; promover a preservação do meio ambiente; a educação rural, diversificação, sustentabilidade e a valorização dos agricultores. 

Para realizar atividades lúdicas, buscando a consciência ambiental através de brincadeiras e recreação, em 1991, o Projeto Verde é Vida, cria o seu mascote: o boneco Afubrinha. Uma muda de árvore que atende as comunidades de abrangência da Afubra.

Fonte: https://afubra.com.br/verde-e-vida.html

 

A Philip Morris lidera as alternativas aos cigarros com seu dispositivo de tabaco aquecido IQOS, embora concorrentes como Juul sigam de perto. A empresa obtém quase 20% da receita com produtos sem combustão.

Referência

GRETLER, Corinne. Para Philip Morris, cigarro começará a desaparecer em uma década. São Paulo, UOL, 30 jun. 2020. Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2020/06/30/para-philip-morris-cigarro-comecara-a-desaparecer-em-uma-decada.htm . Acesso em: 19 ago. 2020.

Fonte: https://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2020/06/30/para-philip-morris-cigarro-comecara-a-desaparecer-em-uma-decada.htm

 

O Relatório de Pesquisa da Indústria do Mercado 2020 da Cigarro eletrônico e Tabaco Vapor rastreia as mais recentes dinâmicas de mercado, como fatores determinantes, fatores restritivos e notícias do setor, como fusões, aquisições e investimentos. Global Cigarro eletrônico e Tabaco Vapor Market Size (valor e volume), participação no mercado, taxa de crescimento por tipos, aplicativos e combina métodos qualitativos e quantitativos para fazer previsões micro e macro em diferentes regiões ou países.

Referência

FREEMAN, Kevin.Mercado Cigarro eletrônico e Tabaco Vapor por atores-chave, análise de informações sobre produtos e produção e previsão para 2026. Braga Magazine, [s.l.], 17 maio 2020. Disponível em: http://bragamagazine.com/2020/05/17/mercado-cigarro-eletronico-e-tabaco-vapor-por-atores-chave-analise-de-informacoes-sobre-produtos-e-producao-e-previsao-para-2026/ Acesso em: 10 jun. 2020.

 

Páginas